Urbanista que virou corretor de seguros

A trajetória pioneira que uniu engenharia, risco e propósito.

Contar uma história é sempre desafiador para quem escreve: separar a o ego da descrição dos fatos vividos. É com esse espírito que me propus descortinar alguns acontecimentos que possam ser motivadores aos nossos colegas na LOCKTON, considerando a dinâmica de movimentos que convivi, no cenário social e no nosso mercado.

Os imprevistos no caminho, inevitavelmente acontecem e o sucesso pressupõe aceitá-los e descobrir alternativas para os desafios.

Minha vida profissional se iniciou como professor concursado da Universidade Federal. Após a conclusão do mestrado em planejamento urbano e regional na COPPE/UFERJ, além do magistério, iniciei o desenvolvimento de trabalhos na área de pesquisas.

No início da década de 70, com a criação da Fundação Escola Nacional de Seguros, fui indicado para desenvolver um projeto de pesquisas voltada para “seguros”, onde trabalhei como assessor do departamento de ensino e pesquisas.

Esse convite alterou o rumo da minha vida profissional e, como engenheiro de formação, identifiquei brechas que poderiam trazer para a “instituição seguro” uma perspectiva acadêmica na análise de riscos e seguros. O acesso que a Fundação oferecia enquanto escola, foi um laboratório de descobertas e inovações que tive oportunidade de participar. Em 1978, pedi demissão do cargo que ocupava na Fundação, após criar uma empresa com objeto social “Consultoria e Gerenciamento de Riscos”, pioneira na atividade.

Durante os 12 anos seguintes, após a criação da empresa, atuamos exclusivamente, como uma empresa de consultoria de riscos, seguimento de mercado praticamente sem concorrência, tendo sido um exercício de criação de métodos de análise e gerenciamento, junto a grandes corporações com diferentes tipos de atividades.

Nossa iniciativa coincidiu com uma fase de grandes investimentos em infraestrutura, que nos permitiu desenvolver diversos trabalhos de destaque no mercado, quando havia carência de profissionais especializados na análise e subscrição dos riscos diferenciados. Aprovamos a primeira taxação analítica de riscos petroquímicos, na comissão especializada, realizamos a análise e subscrição de risco de engenharia da obra do metrô e muitos outros trabalhos inovadores, cuja clientela acabou por determinar nosso perfil de atuação no seguimento corporativo.

Haveria muitas histórias para contar, na estruturação de apólices com limite único (então uma novidade naquela época), seguros de obras de grande porte, riscos nucleares, subscrição de riscos diferenciados sem similares na antiga TSIB, assim como, assessoria a Corretoras e Seguradoras.

Esta perspectiva nos permitiu, quando nos tornamos corretores, atuar com o foco na análise de riscos, para que o seguro contratado fosse uma resposta ao cenário identificado, sempre com o objetivo de “bem servir” aos nossos clientes.

Na linha do tempo, a integração com os gestores das empresas no trabalho de consultoria de riscos, levou alguns deles, a desempenhar um papel de destaque na corporação, agregando conhecimento ao cenário de riscos e transformado a cultura da empresa.

A gestão de sistemas gerenciais na administração de seguros e riscos, a inclusão do programa de seguros no planejamento estratégico das empresas, a elaboração do plano de continuidade de negócios, são alguns exemplos de resultados obtidos.

É uma realização profissional constatar o papel representamos nesta evolução em função de alguns dos trabalhos realizados, embora tenhamos consciência que, os resultados não tenham sido uma tarefa individualizada e sim, coletiva.

Encontrei na Lockton os mesmos valores e a cultura corporativa que pratiquei em toda minha carreira: “ter a liberdade de sempre fazer o melhor para nossos clientes”. Isso se traduz na nossa elevada taxa de retenção de clientes, alguns deles há mais de 30 anos nossa carteira.

Assim me tornei corretor de seguros e nunca mais voltei às salas de aula.