Adesão ainda tímida revela potencial inexplorado para redução de sinistralidade e modernização do cuidado corporativo
Um estudo recente da nossa carteira mostra que, apesar da alta resolutividade e do menor custo, a adesão à teleconsulta ainda tem grande potencial de crescimento.
A digitalização da saúde ampliou as possibilidades para a gestão de benefícios corporativos. Para compreender o impacto real dessa transformação, analisamos detalhadamente o uso da telemedicina nos últimos 12 meses, a partir dos dados de sinistro das principais operadoras do mercado — Amil, Unimed Nacional, Grupo NotreDame Intermédica, Seguros Unimed e SulAmérica. O objetivo foi comparar a representatividade das teleconsultas em relação às consultas eletivas presenciais e aos atendimentos em pronto-socorro.
O Cenário Pós-Pandemia e a Realidade da Nossa Carteira
A telemedicina se consolidou globalmente durante a pandemia de COVID-19 como ferramenta essencial para reduzir exposição desnecessária e garantir continuidade do cuidado. No Brasil, houve um crescimento expressivo impulsionado pelo distanciamento social.
Entretanto, ao observarmos o comportamento atual dos nossos beneficiários, percebemos que a mudança cultural não se manteve no ritmo esperado. Os dados revelam um quadro de subutilização:
Adesão baixa: entre os usuários que realizaram algum tipo de consulta (PS, eletiva ou online) no último ano, apenas 9,47% recorreram à telemedicina.
Pouco volume: as teleconsultas representam somente 4% do total de consultas realizadas.
Isso mostra que, após o fim dos picos da pandemia, muitos beneficiários voltaram ao hábito do atendimento presencial — inclusive no pronto-socorro para casos de baixa complexidade — o que contribui para desperdício assistencial.
Eficiência Financeira: Um Forte Atrativo
Sob a perspectiva da Gestão de Risco, a telemedicina se apresenta como uma importante aliada na contenção de custos. Nosso estudo identificou que, embora representem 4,37% do volume total de consultas, as teleconsultas correspondem a apenas 2,29% do custo total.
Custo médio por teleconsulta: cerca de R$ 75,57.
Comparativo: esse valor equivale, em média, à metade do custo de uma consulta presencial (eletiva ou em pronto-socorro).
Esse dado reforça que incentivar o uso da saúde digital não é apenas sinônimo de modernização, mas de sustentabilidade para o plano.
Benchmark de Mercado: O Diferencial da Bradesco Saúde
Dentre as operadoras analisadas, destaca-se o modelo da Bradesco Saúde, que oferece telemedicina diretamente pelo aplicativo, com atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein.
O principal diferencial é a isenção de custos:
Não há impacto no sinistro para a empresa.
Não há cobrança de coparticipação para o beneficiário.
Esse modelo remove barreiras financeiras e posiciona a operadora como referência em incentivo ao uso da telemedicina.
Conclusão e Caminhos Futuros
A telemedicina no Brasil já demonstrou alta eficácia na triagem de casos agudos, evitando atendimentos desnecessários no pronto-socorro e reduzindo a sinistralidade. Estudos do setor apontam que a resolutividade das consultas à distância supera 90% em atenção primária (fonte: Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital).
Entretanto, os dados da nossa carteira evidenciam uma subutilização da ferramenta. O desafio agora é cultural: criar estratégias de comunicação e incentivo que mostrem ao colaborador que a teleconsulta é segura, rápida, eficiente e, muitas vezes, mais adequada para problemas de baixa complexidade.
Ampliar a fatia atual de 9,47% de usuários é fundamental para garantir um plano de saúde mais equilibrado e sustentável.
Fontes e Contexto Adicional
Lei nº 14.510/2022 (Lei do Telessaúde): regulamentou e autorizou a prática em todo o país, oferecendo segurança jurídica.
Dados de mercado: segundo a FenaSaúde, entre 2020 e 2022 foram realizadas mais de 9 milhões de teleconsultas; porém, 2023/2024 marcam o retorno gradual ao presencial, confirmando a necessidade de políticas de incentivo.
Foco na redução de atendimentos no PS: pronto-socorros possuem custos fixos e tarifas de exames significativamente maiores que consultas ambulatoriais ou por vídeo — uma das principais oportunidades de redução de sinistralidade.
